segunda-feira, 14 de novembro de 2011

SORVETES E PICOLÉS...

Seus sabores, cores, texturas e deliciosa temperatura são inevitáveis nos dias mais quentes


No calor dá vontade de falar em sorvete, sorvete puxa assunto de picolé que todo mundo já tomou em férias no interior, às vezes vendido na farmácia (talvez por causa do corante), todos com o mesmo gosto, mas as cores... Ah, as cores iam do puro vermelho ao verde mais capim. E você ia chupando, naquelas tardes calmas, com cheiro de bonina, andando de volta para casa por ruas de terra, desviando-se de um burro, de muitos cachorros, um zumbido de felicidade pelo ar e no fim o picolé era branco, transparente, o gelo só.
Engraçado que na história do sorvete os paladares exóticos e estranhos apareceram logo no começo. Talvez pela estranheza de não saberem bem o que era um sorvete, foram fazendo de parmesão, de pão preto (o de pão preto era o maior sucesso na Inglaterra). E o de creme, esse sim, é que difícil, levava baunília e baunília custava os olhos da cara. Fizeram sorvete de aspargos, de alho-poró, de pasta de sementes de melão com amêndoas, de pinhõezinhos, coentro, anis, funcho, violetas...
E, Paraty, no verão, é a maior lambança, os que estão de regime vão para a sorveteria com os outros que não estão. Logo na entrada dão uma colherzinha de madeira para você ver qual sabor prefere, e aí os gordos se esbaldam na prova, porque segundo eles prova não engorda. E tem aqueles sabores bem brasileiros, tudo feito com fruta fresca, pedaçuda, manga, goiaba, m ilho, coco, pitanga... E o melhor é sentar-se na cadeirinhas de lata e ver o povo passar, andando bem no meio da rua. Em Paraty anda-se no meio da rua, como se não existissem carros, um direito adquirido, um direito tombado. Enquanto isso, mais uma casquinha, e outra, e outra.
Essa conversa de sorvete me lembra uma coisa. Nos tempos de hoje tudo é muito difícil de fazer no apavora. Pudera. Com a correria... Mas já se teve mais tempo nas mãos para dobrar guardanapos, pintar e bordar. Veja só; as freiras de San Gregorio, em Nápoles, eram famosas pela comida boa. Em 1780 o rei e a rainha, de passagem, fizeram uma visita a elas, não sem antes avisar que já estariam jantados. As freiras com certeza se deseperaram, o rei iria passar por lá se, comer nada? Pois a comitiva chegou e foi levada à mesa, meio contra a vontade. A rainha escolheu uma fatia de peru, provou e qual não foi a surpresa ao ver que o presunto, as aves assadas, o salmão, os pepinos, os caranguejos e até os biscoitos eram de sorvete! Tudo na maior perfeição de formatos e cores. Pois é. Nunca se sabe quem são os mais malucos, nós, na correria, ou as freirinhas escultoras.
Por Nina Horta (cronista de gastronomia)

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